Traga, prende, solta, respira, 1,2,3...inspira. Sobe as escadas do prédio, contando os degraus um a um, exatamente no tempo em que pisa neles para não se perder com o latido do cão que a aguarda desesperadamente no ultimo andar. Entra com cara lavada, despida, a que não utiliza a algum tempo(indeterminado), é ela tem várias caras, e a que vem cada vez mais presente é essa, que é efêmera, e na dura mais que poucos meses.
Cumprimenta e conta alguma notícia que diz imperdível, um babado, um acontecimento, ela sempre tem algo pra contar quando adentra o apartamento plenamente branco, seu canto plenamente cinza e ultimamente desordenado, larga a bolsa como um utensílio inútil no primeiro canto vaga que encontra, tira os sapatos perto da porta, arranca a blusa como numa cena de filme carnal, e se depara com um certo alguém muito presente no recinto, sempre, e desbrava suas historias mirabolantes...
Mexe no celular a todo minuto, conta o tempo em que demora pra digitar mensagens de texto a sua amada, e o tempo que a operadora demora pra enviá-las, e olha de segundo a segundo o tempo que a destinatária demora a respondê-la, ansiosamente aguarda os três segundos que demora para abrir a nova mensagem de texto, imaginando mil coisas que podem estar escritas ali, imagina mil declarações, desejos, carícias, quando na verdade é só uma ternura. E se sente como um ombro, quando na verdade queria ser o corpo inteiro, quando na verdade queria um algo a mais, que nem ela desvenda o que seja...
”Mal sabe ela que pode ser um algo que acabe com o que tanto desejas”
É isso que o consciente diz quando a mente viaja mais que o devido...Ouve pela décima vez as musicas indicadas a ela, e imagina mais um pouco do que a amada quer dizer ou pensa quando as ouve e a lembra, tenta desvendar mais um pouco do que tem por trás daquela, a que hoje ela quer. Só pra ela, só por hoje.
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